O Saber e o Enigma (Parte II)
Bpor Bruno Fontana15 min de leitura
Artigo · Resenhas

O Saber e o Enigma (Parte II)

Na primeira parte desta resenha eu me dediquei a explicar a noção olavista de “círculo de latência” enquanto fundamento epistemológico de sua teoria do símbolo…

I – Esoterismo e Exoterismo

II – O Exorcismo de Guénon

III – Bibliografia Recomendada

I – Esoterismo e Exoterismo

Na primeira parte desta resenha eu me dediquei a explicar a noção olavista de “círculo de latência” enquanto fundamento epistemológico de sua teoria do símbolo; e, na sequência, passei a discorrer sobre a grande importância do sistema simbólico da astrologia na cultura ocidental, a ponto de seu desaparecimento poder ser identificado com uma das principais causas da famosa crise do mundo moderno. Agora, nesta segunda parte, símbolo, astrologia e mais algumas noções convergirão para elucidar as ideias de Olavo a respeito do que seja a natureza do esoterismo e a estrutura da “filosofia”[1] de René Guénon, um dos grandes teóricos do esoterismo de todos os tempos. Além disso, ao leitor interessado em se aprofundar nos temas em que aqui toquei apenas de raspão, haverá no final da resenha uma bibliografia dos livros principais recomendados por Olavo em O Saber e o Enigma.

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Partindo das ideias do próprio Guénon, toda religião, como uma fruta, pode ser dividida em duas partes: a casca e o caroço (l’écorce et le noyau ou, em árabe, el Qishr wa el-Lobb). Às obrigações públicas e ordinárias da religião corresponde a casca, isto é, a sua parte mais superficial, que é igual e obrigatoriamente praticada por todos os seus membros – o que ocorre em todo o mundo menos no Brasil, onde se criou a estranhíssima ideia do “católico não-praticante”. Já o caroço seria um conjunto de ritos e práticas voluntárias realizadas apenas por indivíduos qualificados e interessados na busca de um conhecimento espiritual extra, por assim dizer, um conhecimento de ordem superior, metafísica. Esoterismo, então, é o nome que se dá a essa parte mais “elitista” das religiões, ao caroço, e exoterismo à religião do povão, a qual nem por isso deixa de ser um pré-requisito para que se tenha acesso ao conhecimento esotérico: afinal, qualquer um que já tenha chupado uma manga sabe que não é possível chegar ao caroço sem passar pela casca.

Mas em que consistem exatamente essas práticas esotéricas? No que elas se diferenciam da religião exotérica? Ainda segundo Guénon, uma de suas principais características seriam os rituais iniciáticos.

Um rito, em primeiro lugar, pode ser definido como “a repetição formalizada de um gesto tido como primordial” (p. 114), ou seja, a representação atual de um acontecimento passado a fim de relembrar e renovar sua presença. Dentro dessa definição é possível inserir diversos tipos de rituais. Alguns dos exemplos mais comuns são os ritos sacrificiais (como as antigas oferendas de animais aos deuses), ritos de renovação (como o Ano Novo), e os interessantíssimos ritos mágicos, cujo objetivo é manipular aquilo que Olavo chama de “forças sutis da natureza” (p. 114). Acupuntura chinesa, feitiçaria e alquimia são alguns dos exemplos citados do que seja este poder mágico sobre forças naturais. Para que aquele leitor tão cético como eu testemunhe algo desses fenômenos com os próprios olhos, disponibilizarei abaixo o vídeo intrigante de um velhinho oriental que, por meio de certos movimentos corporais, consegue botar quaisquer animais a dormir, sem sequer aproximar-se deles (meu e-mail estará no fim da página para quem queira me escrever a respeito desse tipo de fenômeno).

E há também, como eu dizia, os ritos iniciáticos. Seu objetivo, em conformidade com as finalidades próprias do esoterismo, é justamente fornecer ao iniciado o acesso a novos e mais profundos planos espirituais, ou seja, é aproximá-lo, ao menos potencialmente, do caroço. Toda iniciação faz com que o indivíduo ganhe uma determinada abertura espiritual que antes não tinha, que passe a enxergar a realidade e a existência com uma atitude intelectual a qual desconhecia anteriormente, segundo um ponto de vista que lhe era no máximo opaco, embaçado, sutilmente entrevisto. Por isso mesmo, nas sociedades arcaicas e tradicionais[2], é muito comum ver esse tipo de ritual sendo associado a determinadas faixas etárias, tais como o nascimento, a passagem da infância à juventude ou a chegada à vida adulta. Afinal, todos esses períodos da vida de um ser humano são, em geral, muito mais do que uma mera marcação quantitativa e biológica, servem mesmo de parâmetro qualitativo da evolução intelectual e da maturidade espiritual do sujeito. Na entrada de cada uma dessas fases abrimos os olhos para enxergar a realidade a partir de novas formas, cada vez mais complexas. São como que degraus de uma escada iniciática.

Mas, além dos ritos iniciáticos, os detentores de conhecimentos esotéricos ainda possuem mais algumas caractéristicas importantes. Geralmente eles se organizam em círculos intelectuais reservados, a fim de transmitir secreta ou discretamente seu saber aos que sejam qualificados para tanto: são as tão famosas quanto enigmáticas sociedades secretas. No Ocidente, o exemplo mais célebre dessas sociedades é a Maçonaria, se bem que ao menos desde a antiga Grécia, com Orfeu, Pitágoras e Platão, já há casos dificilmente contestados desse tipo de irmandade. A existência do esoterismo aparece assim como nada menos que um fato, uma realidade historicamente comprovada e, por assim dizer, inegável.

Até aqui, tudo ok, tudo parece bastante convincente e plausível. Contudo, de acordo com Olavo, os problemas começam no fato, que pode passar despercebido, de que toda essa rede de distinções conceituais elaborada por Guénon toma como base a realidade do Islam muito mais do que a de qualquer outra religião; de modo que alguém que almeje a real inteligência desses assuntos deva se perguntar o seguinte: não obstante a existência histórica, tanto no Ocidente quanto no Oriente, de grupos que se autodeclaram esotéricos, será de fato possível estender despreocupadamente a estrutura esotérico-exotérica do Islam a todas as outras religiões? De que modo se manifestam essas mesmas categorias nas religiões hindu, judaica, cristã, etc.? Elas são de fato suficientes e adequadas para abarcar e descrever seus fenômenos espirituais como fazem no Islam? A seguir tentaremos resumir a resposta olavista a essas questões, a qual acabará por culminar em uma das mais duras críticas já feitas à escola perenialista.

II – O Exorcismo de René Guénon

A ocasião pede um breve relato biográfico. Para quem o já não saiba, quando moço, uma das primeiras paixões intelectuais de Olavo de Carvalho foi justamente o “estudo dos esoterismos”. Frustrado com a espiritualidade rasa e dominada pela ideologia marxista que lhe oferecia a Igreja Católica de então (p. 176), ele passou primeiramente a buscar alternativas na importação de doutrinas orientais, sobretudo budistas e hindus, e no movimento Nova Era, com o qual diz ter tido “um contato profundíssimo” (p. 176). Na sequência, porém, ele se aproxima de círculos decorrentes do pensamento de Georges Gurdjieff, que se declarava um crítico radical de tudo aquilo que nomeava “pseudo-espiritualidade”, um fenômeno geralmente associado à teosofia, ao espiritismo e à própria Nova Era. Contudo, como isso ainda não fosse suficiente para saciar o seu Eros filosófico, ele cava um pouco mais e chega ao tradicionalismo de Guénon e Schuon, onde finalmente imagina encontrar o que procurava desde o início de sua busca, uma espiritualidade mais profunda, mais highbrow: “acabara a brincadeira, agora estava lidando com algo de primeiro plano” (p. 178). Para que se tenha uma noção, tal altura desses círculos intelectuais ele alcançou que chegou a ser iniciado na Maryamiyya, a tariqa (organização esotérica islâmica) de Frithof Schuon – o mais célebre discípulo de Guénon –, de onde viria a ser expulso voluntariamente pouco tempo depois. Toda essa brincadeira, conta o filósofo brasileiro, durou cerca de 20 anos.

Espero que isto baste para mostrar ao leitor que Olavo não somente estudou de forma teorética esses assuntos, como se fosse movido por aquele tipo de curiosidade gratuita e juvenil, mas os vivenciou na pele. E por mais que ele tenha rompido os laços pessoais que estabelecera com os autores perenialistas e com a tariqa de Schuon, era preciso que, em algum momento, ele repaginasse e reciclasse essas influências intelectuais de juventude, as quais lhe devem ter impressionado a alma tão fundamente: la reabsorción de la circunstancia es el destino concretodel hombre. O momento final do exorcismo foi a escrita do esplêndido ensaio As Garras da Esfinge – René Guénon e a Islamização do Ocidente (Parte IV de O Saber e o Enigma).

O método de análise é o mesmo empregado em seu livro sobre Maquiavel: a interpretação retórica do discurso filosófico a fim de desvelar as verdadeiras – e, em geral, tão secretas quanto escusas – intensões do autor. O que se chama de filosofia não é somente a especulação da Verdade do Ser; mas também a proclamação dessa Verdade pelo homem que a conheceu, a fim de encarná-la na sociedade, despertando o ignorante para a atualização em sua própria alma das potencialidades espirituais recém-descobertas. Vista assim, a especulação filosófica possui ao mesmo tempo um aspecto contemplativo e um ativo, pois ela almeja, ao menos idealmente, tanto chegar à contemplação do Ser como depois reproduzir, por meio da ordem do logos, a ordem do Ser apreendido. Os problemas, porém, começam quando a hierarquia de prioridades é invertida e a ação prevalece sobre a contemplação, subordinando a Verdade às finalidades pragmáticas do pensador em questão. Quando isso acontece a filosofia perde o seu caráter essencial de movimento da alma, de tendência em direção à Sabedoria, para fechar-se na ilusão do sistema, que, por já ter supostamente abarcado o real em sua totalidade, se abstém de prestar contas às infinitas e problemáticas novidades apresentadas pelo próprio real, empenhando-se agora em transformá-lo a seu bel prazer. Nesse sentido é que Olavo afirma o seguinte:

a estrutura de uma filosofia só se revela quando o discurso em que ela se expressa é examinado não como um puro sistema de ideias e doutrinas, mas como uma ação humana, a intervenção de um indivíduo intelectualmente privilegiado na vida dos seus semelhantes supostamente menos dotados dispostos a ouvi-lo” (As filosofias e sua estrutura).

No pensamento guénoniano, essa finalidade prática corresponderá, segundo Olavo, à intenção de islamizar a civilização ocidental: “a islamização do Ocidente – passiva ou ostensiva, pacífica ou violenta – é o objetivo central e, na verdade, único, de toda a obra de René Guénon” (p. 217). À questão de se o par de conceitos esoterismo-exoterismo pode ser tranquilamente estendido, a partir do Islam, às outras religiões Olavo de Carvalho responde categoricamente “não”. É muito claro para Olavo que, sobretudo no âmbito católico, não há como falar de esoterismo senão como figura de linguagem, pelo simples fato de que Jesus Cristo afirmou taxativamente: “nada ensinei em segredo” (Jo, 18:20). Mais do que isso, “João Paulo II, no seu catecismo, declara explicitamente que os sacramentos são os passos da iniciação cristã” (p. 202), logo, todos os católicos são iniciados de pleno direito sem que precisem pertencer a tal ou qual sociedade esotérica. A distinção rígida e formal de esoterismo e exoterismo, própria do Islam, é aqui atenuada para designar apenas o maior ou menor desenvolvimento intelectual dos fiéis a partir das potencialidades espirituais igualmente distribuídas por meio dos sacramentos. Mas Guénon nunca quis admitir essa realidade, e em seu lugar preferiu inventar a hipótese fantasiosa de que o cristianismo teria surgido incialmente em forma esotérica para depois, num processo de degenerescência, popularizar-se como religião exotérica desprovida de conteúdo espiritual de ordem superior. Para ele, portanto, a salvação dessa debacle católica só poderia vir desde fora da Igreja, de alguma tradição que ainda preservasse o aspecto esotérico do conhecimento religioso. Enunciada assim, em abstrato, a proposta ainda não soa tão descarada, mas examinando com cuidado todas as alternativas, constata-se, segundo Olavo, que sobra apenas uma saída: “o catolicismo só pode ser devolvido à sua integridade originária se consentir em submeter-se ao guiamento de mestres islâmicos. Ou isso, ou a ocupação do Ocidente pelos muçulmanos. Tertium non datur” (p. 221).

É evidente aqui o esforço de redução artificial das particularidades das várias religiões a um mínimo múltiplo comum, enfiando-as à força todas no mesmo buraco, como alguém que deseja fechar desesperadamente o porta-malas para viajar logo, a despeito de ele estar entupido com as bagagens excessivas da família. No caso, a viagem para a qual Guénon se apressa é o sonho da dominação islâmica do Ocidente, ainda que para isso ele tenha que fazer vista grossa perante as características essenciais do Cristianismo. O sistema perenialista, o dualismo esoterismo-exoterismo, claramente sobrepõe e veda a abertura de espírito inegociável ao bom filósofo; a disputa por autoridade espiritual faz as vezes da busca sincera pelo conhecimento; e o movimento da alma em direção à ordem transcendente é mudada em legislação autoritária da ordem imanente, em plano de dominação geopolítica (o que se torna mais claro do que nunca nas ideias do perenialista Alexandr Dugin). No fundo, tudo isso parece soar como nada mais que um reflexo da personalidade insuportavelmente arrogante de Guénon, que nos seus escritos se dirige ao leitor como quem diz: “senta aí, meu filho, que eu vou te contar a Verdade”[3].

Diante disso, é natural que surja a pergunta a respeito do proveito que se pode tirar das obras de René Guénon e companhia. Ainda segundo Olavo, apesar dos pesares, é impossível negar as magníficas contribuições da escola perenialista ao estudo de Religião Comprada, Arte Sacra e Simbolismo Tradicional, matérias tão essenciais quanto esquecidas pela cristandade moderna.

Um exemplo claro de como o horizonte de consciência católico está muito aquém de suas possibilidades de realização intelectual pode ser visto na famosa Basílica da Sagrada Família (Antoni Gaudí). Essa igreja, uma obra-prima da arquitetura sacra moderna, apesar de projetada já no início do século XX, comporta um simbolismo alucinante e talvez tão sublime quanto o das antigas catedrais góticas, mas que é no fundo incompreensível e quase inexistente para a consciência do atual cristão médio. Como explica o crítico Rainer Zerbst:

Gaudí não queria construir apenas um lugar de reunião para venerar Deus; pensava antes num catecismo de pedra, num “livro” monumental que o observador pudesse “ler”. Isto exprime-se numa tendência permanente para a utilização do simbolismo. […] Gaudí imaginava a igreja como o corpo místico de Cristo. O centro é o próprio Cristo, representado no interior pelo altar. Porém, Cristo é sobretudo a cabeça deste corpo – simbolizada pela torre principal da catedral que, com uma grande cruz no pináculo, deve lembrar a Redenção. As doze torres que dominam as fachadas correspondem à cristandade inteira representada pelos apóstolos”[4].

É nesse tipo de estudo, portanto, de simbólica tradicional e afins, “que qualquer cristão inteligente, católico ou não, pode tirar proveito dos ensinamentos de René Guénon sem aderir ao projeto guénoniano, mas como recusar adesão sem saber ou querer saber que o projeto existe?” (p. 225). Daí o monstruoso esforço intelectual de Olavo de Carvalho para separar o joio do trigo, para decifrar o enigma da esfíngico das obras de Guénon (a estrutura retórica de sua filosofia) sem negar-lhe ao mesmo tempo os mais brilhantes méritos. “Uma vez decifrada, porém, a Esfinge não tem remédio senão soltar gentilmente a presa, que sairá das suas garras não somente livre, mas fortalecida” (p. 226).

III – Bibliografia Recomendada

1) Cristianismo

W. R. Inge – Christian Mysticism

Erwin Panofsky – Arquitetura Gótica e Escolástica

Stepehen C. Jaeger – A inveja dos anjos

Juan Gonzalez Arintero – La evolución mística

Olavo de Carvalho – Whats is a Miracle?

2) Simbolismo

Susane K. Langer – Filosofia em nova chave

René Guénon – O simbolismo da cruz

______________ – Os símbolos da ciência sagrada

Jean Borella – La crise du symbolisme religieux

Raymond Abellio – A estrutura absoluta

Matila Ghyka – O número de ouro  

Louis Charbonneau-Lassay – Le bestiaire du Christ

Mário Ferreira dos Santos – Tratado de Simbólica

______________ – Pitágoras e o tema do número

Olavo de Carvalho – Dialética Simbólica

Platão – Crátilo: sobre a correção dos nomes

3) Astrologia

Nicholas Campion – Uma história da astrologia

Robert Hand – Ensaios Astrológicos

John Frawley – The real astrology

Michel Gauquelin – L’influence des astres

Olavo de Carvalho – O caráter como forma pura da personalidade

Robert Sungenis – Galileu was wrong, the church was right

Richard Tarnas – Cosmos e Psique

4) Esoterismo

René Guénon – Aperçus sur l’initiation

______________ – O reino da quantidade e os sinais dos tempos

Whitall Perry – A treasury of traditional wisdom

Frithjof Schuon – Unidade Transcendente das Religiões

Martin Ligns – The secret of Shakespeare

6) Maçonaria

Angel Millar – Freemasonry: a history

___________ – The crescent and the compass

Olavo de Carvalho – Simbolismo na Flauta Mágica

___________ – O jardim das aflições  

5) Magia

Arman Barbault – L’Or du milième matin

Willy Hellpach – Geopsyche

Claude Levi-Strauss – O feiticeiro e sua magia

Tomás de Aquino – Opúsculos sobre a natureza

[1] As aspas advêm do fato de que, concordando em grande medida com Ronald Robson, não acredito que a categoria de “filósofo” se aplique bem à Guénon pelo simples fato de que “o próprio estilo dele não é o de quem está investigando algo, e sim o de quem até desdenha de qualquer investigação. É uma espécie de legislador de tudo, um autor que diz: – Senta aí, meu filho, vou te contar a Verdade”.

[2] Mircea Eliade – Mito e Realidade, cap. ‘’O tempo pode ser dominado’’.

[3] Cito aqui, mais uma vez, o parecer de Ronald Robson.

[4] Rainer Zerbst – Antoni Gaudí Cornet: uma vida na arquitetura, p. 198.

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Bruno Fontana

Bruno Fontana é professor de filosofia e editor das obras do professor Olavo de Carvalho.

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